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Doorway Effect

Doorway Effect e falta de colaboração em ambientes abertos.

O que a Neurociência, a Neuroarquitetura e a Psicologia têm a dizer que nos ajude a ligar os pontos e entender por que o open-office diminui a interação entre os funcionários.

Ethan Bernstein, professor de comportamento organizacional da Harvard Business School, divulgou um artigo defendendo que o open office diminuía em 70% a interação dos funcionários.

“Percebi que a pesquisa tinha uma boa metodologia, foi bem executada e ajudou a responder um longo debate com sociólogos que argumentavam que remover as baias iria aumentar colaboração, enquanto a psicologia social dizia o contrário”, disse. “O que não ficou claro naquele estudo foi a razão do open office diminuir a colaboração entre os funcionários que estão em um mesmo espaço físico”.

Fonte: https://valor.globo.com/carreira/noticia/2019/11/29/por-que-o-open-office-diminui-a-interacao-entre-os-funcionarios.ghtml

Bem, eu tenho uma teoria sobre uma parte dessa pesquisa e suas descobertas. Mas, primeiro, quero compartilhar com você uma inquietação e uma percepção de psicóloga e estudiosa das Neurociências desde 1982!

A inquietação é: Por que será tão difícil compreender que a Ciência que estuda o coletivo, erra em previsões sobre o indivíduo? 🤔 

A percepção/hipótese é: Talvez seja o mesmo motivo pelo qual nem tudo que a Neurociência afirma possa efetivamente ser aplicado ao que a Psicologia afirma/sabe.

A Neurociência estuda as partes e isso é mais que importante; é bem vindo. Mas o indivíduo é mais que suas partes… Percebe?

FONTE: https://www.todamateria.com.br/cerebro/

Enfim, vamos à minha teoria.

Premissa nº 1: Doorway Effect é algo que você conhece extremamente bem ainda que, possivelmente, não saiba o nome. São esses esquecimentos instantâneos que ocorrem quando a gente sai de um cômodo pra entrar em outro em busca de algo e esquece o que era. Sim, sim; pode respirar aliviado/a. Todo mundo tem isso 😊 Você não é uma Dory 😊

Fonte da imagem: Giphy

Em 2011, pesquisadores do Departamento de Psicologia da Universidade de Notre Dame, nos USA, descobriram que isso acontece com todo mundo, de vez em quando, por conta de que nosso cérebro interpreta a passagem de um cômodo para outro como um ponto de corte, que interrompe os dados que carregávamos na memória de trabalho. Possivelmente por causa da necessidade cerebral de criar um novo contexto em um ambiente diferente.

Ao entrarmos no cômodo novo, o cérebro coloca sua atenção em questões relacionadas à consciência espacial, à memória e ao movimento por que nosso corpo ou nossa noção de espaço são mais importantes do que a ação que iríamos realizar. Ela pode ser recuperada de forma relativamente fácil. Já a perda da noção de espaço nos assustaria muito mais e ainda poderia causar algum estrago como uma batida numa quina de pé de mesa – função para a qual o dedinho do pé existe e, não, isso não é uma teoria.

“Uma grande empresa de software descobriu que 90% das interações cara a cara aconteciam nas mesas das pessoas. Apenas 3% ocorreram em áreas comuns e o restante ocorreu em salas de reuniões. Isso foi suficiente para ela começar a rever as necessidades de suas áreas comuns”, escreveram.

Outra empresa descobriu um “pequeno ajuste” que fez grande diferença: lousas brancas em áreas abertas aumentaram 50% as interações nas reuniões. Outra conclusão é que funcionários devem estar no mesmo andar para colaborar mais. Prédios próximos ou pisos adjacentes não ajudam muito a integrar pessoas de um mesmo time ou que precisam de mais interação em determinado momento e projeto”.

Fonte: https://valor.globo.com/carreira/noticia/2019/11/29/por-que-o-open-office-diminui-a-interacao-entre-os-funcionarios.ghtml

Sobre isso de deverem estar no mesmo andar pra colaborar mais, pense um pouco, a pessoa sai da mesa dela pra pedir ou oferecer algo a partir de uma ideia que teve; muda de ambiente para comunicar isso ao colega de trabalho e PAM! Doorway Effect! Ela, então, volta, pra sua mesa e retoma o que estava fazendo. Foi-se o momento.

Outra coisa que merece um destaque – e onde a Sociologia não alcançou ver – é que se eu estou vendo você trabalhar, não vou interromper pra conversar, certo? Vou preferir mandar uma mensagem que pode ser acessada quando você estiver disponível. Ainda mais em tempos onde ligar, sem pedir antes via WhatsApp ou outro meio escrito, é considerado deselegante e invasivo. Pode haver uma agravante, inclusive, eu posso já ter te interrompido alguma vez e ter percebido uma expressão de desagrado, ainda que mínima, no seu rosto, pela interrupção.

O que a pesquisa diz sobre isso é que em espaços abertos, criamos uma quarta parede – como no cinema – e, consequentemente, nos isolamos; não interagimos.

” Por essa razão, o open office aumenta o engajamento digital, defendem os professores, não o presencial“.

E o que a Neuroarquitetura tem a ver com tudo isso? É ela que estuda e realiza a melhor forma de recriar espaços para que resultados comportamentais possam ser obtidos. É por isso que ela tem tudo a ver com isso. 😉

5 crenças falsas sobre o cérebro

As cinco crenças falsas sobre o cérebro

cerebro

Nas últimas duas décadas, assistimos a enormes avanços na nossa compreensão sobre o funcionamento do cérebro. Este avanço nas neurociências deve-se muito à implementação de várias técnicas de imagiologia cerebral, que produziram um grande volume de informação sobre a complexidade do funcionamento neuronal, com um detalhe impressionante.

Mas, apesar do avanço na compreensão do cérebro e da divulgação do conhecimento adquirido, várias crenças falsas sobre este órgão, cerne da nossa inteligência, persistem no imaginário coletivo. Vejamos algumas delas.

1. Só usamos 10% do nosso cérebro?
É talvez a crença mais comum sobre o cérebro, tendo tido origem no princípio do século passado e sido bastante divulgada em diversas obras de literatura pseudocientífica e também no cinema.

Todos os dados neurocientíficos que hoje possuímos, principalmente aqueles oriundos da imagiologia cerebral, a contrariam e indicam que nenhuma zona do cérebro permanece totalmente inativa, nem sequer enquanto dormimos.

De facto, até hoje, ainda não foi encontrada uma zona do cérebro à qual não esteja associada uma dada função e atividade.

Além disso, hoje sabemos que mesmo as tarefas cerebrais aparentemente mais simples, embora possam envolver mais uma dada zona cerebral, mobilizam a atividade de inúmeras outras, numa complexidade de interações espantosas.

Por outro lado, o cérebro é o órgão que mais energia consome para o seu funcionamento. Gastar tanta energia para que 90% do cérebro não fizesse nada é algo que não faz sentido do ponto de vista evolutivo.

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2. Dois cérebros num só
Enraizou-se a ideia de que os dois hemisférios cerebrais têm funções totalmente distintas, sendo um, o direito, mais intuitivo e artístico, e o outro, o esquerdo, mais analítico e racional.

O que as neurociências têm verificado é que os dois hemisférios estão em permanente interação, diálogo, quer estejamos a resolver um problema matemático, quer estejamos a tocar piano, por exemplo.

E mais, existem inúmeros casos em que traumatismos cerebrais que afetam um dos hemisférios levam a que funções das zonas afetadas sejam transferidas para o outro hemisfério.

Há pois uma grande plasticidade cerebral, uma grande conetividade e interação entre os dois hemisférios, pelo que os dois estarão sempre de alguma forma ativos, independentemente da atividade em questão.

3. O tamanho do cérebro determina a inteligência
Para além da questão sobre o que é que consideramos ser a inteligência, está a crença de que somos tanto mais inteligentes quanto maior for o tamanho do nosso cérebro.

A biologia mostra que existem muitos animais com cérebros maiores do que os dos seres humanos e que, mais do que o tamanho per si, deve ser considerado a relação entre a massa cerebral e a massa total do corpo. E mesmo nessa relação os seres humanos não estão no topo.

O que as neurociências têm demonstrado é que, mais importante do que o tamanho, a quantidade e complexidade de ligações (sinapses) entre os neurónios (células do cérebro) é o que pode determinar sermos mais ou menos inteligentes.

E, além da genética que determina o tamanho, a complexidade daquelas interações é condicionada pela aprendizagem e experiência de cada um de nós, independentemente da massa cerebral.

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4. O cérebro está inativo enquanto dormimos
O cérebro nunca descansa. A monitorização da atividade cerebral, por eletroencefalogramas e pelas mais modernas imagiologias cerebrais, mostra que o cérebro está ativo durante o sono.

Aliás, sabemos hoje que o sono é extremamente importante para a manutenção da qualidade das ligações entre as células nervosas.

Foi descoberto recentemente que, durante o sono, ocorrem processos de limpeza do espaço interneuronal, através de uma maior circulação do líquido encefalorraquidiano, o que promove a eliminação dos detritos resultantes da atividade em vigília.

Além disso, verifica-se que a consolidação das memórias ocorre mais intensamente durante o sono. Assim, enquanto dormimos o cérebro trata de arrumar a casa e preparar-se para o dia seguinte.

5. Cérebro masculino e cérebro feminino
É um assunto muito vulgar atribuir ao cérebro capacidades diferentes consoante o sexo.

Contudo, e apesar das diferenças anatómicas e hormonais que distinguem o homem da mulher, não se encontrou até hoje nenhuma diferença distintiva na fisiologia e metabolismo do cérebro nos dois sexos.

Há uma ligeira diferença de tamanhos mas, como já se disse, o tamanho não implica imediatamente uma função diferente.

Contudo, devemos dizer que os neurocientistas estão apenas agora a começar a compreender como é que a complexa atividade neuronal dá origem aos fenómenos psicológicos que determinam a nossa inteligência e personalidade.

Mas a diferença do corpo consoante o sexo não encontra imediata diferença no cérebro que fundamente a adjetivação de género.

Autor: António Piedade
Ciência na Imprensa Regional – Ciência Viva

Fonte original: http://www.sulinformacao.pt

[NEUROCIÊNCIA descomplicada] A vida secreta do cérebro – # 4 – a vida adulta

Neste mês de setembro, estamos estreando um novo tipo de publicação: Só vídeos.

Caso você queira saber mais sobre esta ciência que está servindo de fonte para praticamente tudo que envolve comportamento humano, “garimparemos” informações, preferencialmente em vídeo ou em áudio por ser mais fácil ouvir num iPhone, iPad ou Smatphone em qualquer lugar (leia-se filas de bancos, laboratórios, hospitais, atendimentos públicos, trânsito e afins) do que textos que precisam ser lidos. Além de serem mais palatáveis, mais agradáveis do que a leitura para muitas pessoas.

Aqui, nossa primeira publicação, escolhida por seu alcance e importância.

Para acionar a legenda em português, passe o mouse sobre a tela, um menu aparecerá na parte inferior do vídeo. Clique em legendas e escolha Português (Brasil).

Bom entretenimento inteligente!

Inês Cozzo & Carlos Rodrigues