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Projeto genoma internacional lançado

Projeto genoma internacional lançado

O ‘Projeto Mil Genomas’ irá criar um mapa de variação genética humana altamente detalhado e é o maior projeto do tipo anunciado até hoje.

“Esse é um ponto decisivo histórico em Genômica,” disse Yang Huanming, diretor do Instituto Genômico de Pequim, cuja filial de Shenzen é um dos três institutos que estão lançando o projeto. Os outros dois são o Instituto Wellcome Trust Sanger em Cambridge, na Inglaterra; e o Instituto Nacional de Pesquisa de Genoma Humano em Bethesda, Maryland.

Espera-se que o projeto custe apenas de 30 a 50 milhões de dólares – uma fração do que custaria se eles usassem as tecnologias ‘mais antigas’ como as usadas no Projeto Genoma Humano. Em vez disso, a iniciativa irá usar tecnologias de seqüenciamento de ‘próxima geração’, embora ainda estejam sendo testadas.

“Projetos como esse impulsionam o desenvolvimento tecnológico,” diz David Altshuler, um geneticista do Hospital Geral Massachusetts em Boston.

Os líderes do projeto ainda não decidiriam qual será a profundidade da cobertura do genoma – isto é, quantas repetições eles irão executar para cada cromossomo.

Todos os participantes na primeira fase do projeto serão retirados do Projeto Internacional HapMap, um grande estudo sobre diversidade genética, embora mais pessoas possam ser recrutadas mais tarde. HapMap tem orientado cientistas para centenas de ‘polimorfismos de base única’, ou SNPs — lugares onde os códigos genéticos das pessoas diferem em uma única base de DNA — nas regiões genéticas associadas a doenças. Mas essas associações explicam somente uma pequena parte dos riscos de uma pessoa de adquirir uma doença em particular. E os cientistas devem realizar estudos de acompanhamento grandes e caros para caçar as causas específicas de surgimento de doenças nessas regiões genéticas.

O novo projeto tem o objetivo tanto de orientar os cientistas para as regiões mais associadas a doenças, quanto de apressar muito da pesquisa de acompanhamento cara. Seqüenciar mil indivíduos irá permitir aos cientistas olhar para mais tipos de variação – mais notavelmente, variações estruturais, nas quais longas seqüências de DNA são duplicadas, apagadas ou rearranjadas em diferentes indivíduos. E isso irá capturar variantes mais raras do que o HapMap, que tinha o objetivo de catalogar SNPs presentes em dez por cento da população humana.

“Isso nos dará um catálogo muito mais completo da variação genética, e terá um impacto profundo em nossa capacidade de entender os fatores de risco subjacentes à doença,” diz Francis Collins, diretor do Instituto Nacional de Pesquisa de Genoma Humano.

No entanto alguns cientistas questionam o quão exatos serão os genomas terminados, dado o tempo curto do projeto e o baixo orçamento. Outros dizem que o projeto deveria ter incluído alguma informação sobre os fenótipos dos participantes – tal como os registros médicos ou dados básicos como altura e peso. “É curioso que os estudos de associação-doença não explorem muito o seqüenciamento – e os estudos de seqüenciamento não usem os dados da doença. Seria útil ouvir uma explicação clara do motivo pelo qual, depois de 17 anos e bilhões de dólares, esses estudos ainda não estão coordenados,” disse George Church, que está liderando um empreendimento chamado Projeto Genoma pessoal de seu laboratório na Universidade de Harvard em Cambridge, Massachusetts. O projeto de Church consiste em coletar e liberar dados genéticos e fenotípicos de dez indivíduos, incluindo o próprio Church.

Mas os líderes do Projeto Mil Genomas dizem que o que estão empreendendo não é grande o suficiente para dar respostas definitivas sobre as raízes genéticas das características. Eles também dizem que coletar informações fenotípicas poderia influenciar seu estudo e levantar questões difíceis, por exemplo, como proteger as identidades dos participantes e mesmo assim liberar dados relevantes. O projeto não irá coletar ou liberar qualquer informação sobre seus participantes, além de sua etnia e seqüência genômica.

“Nenhum estudo único com mil pessoas irá conter indivíduos suficientes com quaisquer condições de dar a você qualquer poder para dizer se os genótipos ou fenótipos estão correlacionados,” Collins diz. “É melhor que tal trabalho seja deixado para estudos posteriores.”

http://www.nature.com/news/2008/080122/full/451378b.html
Publicado on-line em 22 de janeiro de 2008 Nature 451, 378-379 (2008) doi:10.1038/451378b


Postado por Nan no TRADUZINDO em 1/23/2008 03:05:00 PM

Por que sentimos sono após as refeições?

Por que sentimos sono após as refeições?

Também podemos sentir sono depois de comer muito. Isso porque a informação de saciedade que é levada ao cérebro nos faz perder o estado de alerta.

Um terceiro motivo é que o organismo passa por ritmos biológicos que variam durante o dia (Cronobiologia). No meio do dia (ou hora do almoço) temos um declínio desses ritmos (Ciclos Circadianos).

A dica para não ter tanta vontade de dormir é diminuir o consumo de alimentos que promovam elevada concentração de glicose no sangue (como doces, geléias e mel) e dar preferência a alimentos de baixo índice glicêmico (pães integrais, arroz, feijão e lentilha). Horários do Corpo Humano

DESPERTAR
das 7hs às 8hs
Quem gosta de acordar tarde já começa o dia em desvantagem.
À partir das 6h, o corpo produz um hormônio que faz
acordar, o cortisol.
Entre 7h e 8h, a taxa de cortisol no corpo atinge a
concentração máxima.
Essa faixa de horário é ideal para acordar com
facilidade e com o pé direito. ATENÇÃO: Voltar a dormir é um erro; por volta das 9h o corpo
começa a produzir endorfinas (analgésicos naturais)
que encorajam um sono pesado do qual será difícil
sair sem dor de cabeça ou mau-humor.
PRAZER
das 9hs às 10hs
A hora certa para as folias amorosas, já que a
taxa de serotonina
(neuro-transmissor ligado ao prazer) está em seu
apogeu. O prazer experimentado só será aumentado.
Por outro lado, também é a hora
de marcar uma consulta ao dentista: as endorfinas,
que também estão
em alta nesse horário, funcionam como anestésicos
naturais.
TRABALHO
das 10hs às 12hs
O estado de vigilância atinge o seu pico e a
memória de curto prazo
(que guarda coisas como um número de telefone que
olha na lista, é
retido por alguns segundos e esquecido na
seqüência) está mais ativa.
Depois que as endorfinas presentes entre 9hs e 10hs
desaparecem, o organismo atinge a sua velocidade
ideal. É o momento certo para refletir, discutir
idéias e encontrar inspiração.
DESCANSO
das 13hs às 14 hs
A moleza que dá depois do almoço não se deve
unicamente á digestão,
mas também a uma queda de adrenalina que acelera o
ritmo cardíaco.
Para retomar a disposição, basta uma sesta de 20 minutos.
MOVIMENTO
das 15hs às 16hs
A forma física encontra o seu apogeu no meio da
tarde, ao mesmo
tempo em que a capacidade intelectual diminui. Como
não há produção
de hormônios específicos nesse horário, os
cronobiologistas ainda não encontraram uma
explicação para o fato.
RUSH
das 18hs às 19hs
À partir das 18h, o organismo fica particularmente vulnerável à poluição
e ao monóxido de carbono. Convém então limitar o
consumo de cigarros
e evitar se possível, os engarrafamentos. Também é
nesse horário que a atividade intelectual e o
estado de vigilância atingem um novo pico – hora
certa de mandar as crianças fazerem a lição de
casa, por exemplo.

PILEQUE
das 20hs às 21hs
Se esse horário costuma coincidir com o aperitivo
de antes do jantar
é bom saber que é também o momento em que as
enzimas do fígado
estão menos ativas, o que faz com que se fique
bêbado bem mais rápido.

SONO
à partir das 20hs
A melatonina (hormônio do sono) invade
progressivamente o corpo a partir das 18h. Mas é as
20hs que aparece o primeiro momento ideal para
dormir, sucedido por outros iguais a cada duas
horas. Para ajudar a cair no sono, fazer amor é uma
excelente idéia: o prazer sexual desencadeia
a secreção de endorfinas no cérebro, favorecendo o
adormecimento.
REGENERAÇÃO
das 21hs à 1hs
Esta fase do sono é muito importante porque
coincide com o pico da produção do hormônio do
crescimento, indispensável para a renovação das
células e a recuperação física. Esse hormônio
permite que os conhecimentos adquiridos na véspera
sejam armazenados no cérebro.

Fonte:
Yvan Touitou
Cronobiologista da Faculdade
de Medicina Pité-Salpêtrière

que sentimos sono após as refeições?

Também podemos sentir sono depois de comer muito. Isso porque a informação de saciedade que é levada ao cérebro nos faz perder o estado de alerta.

Um terceiro motivo é que o organismo passa por ritmos biológicos que variam durante o dia (Cronobiologia). No meio do dia (ou hora do almoço) temos um declínio desses ritmos (Ciclos Circadianos).

A dica para não ter tanta vontade de dormir é diminuir o consumo de alimentos que promovam elevada concentração de glicose no sangue (como doces, geléias e mel) e dar preferência a alimentos de baixo índice glicêmico (pães integrais, arroz, feijão e lentilha). Horários do Corpo Humano

DESPERTAR
das 7hs às 8hs
Quem gosta de acordar tarde já começa o dia em desvantagem.
À partir das 6h, o corpo produz um hormônio que faz
acordar, o cortisol.
Entre 7h e 8h, a taxa de cortisol no corpo atinge a
concentração máxima.
Essa faixa de horário é ideal para acordar com
facilidade e com o pé direito. ATENÇÃO: Voltar a dormir é um erro; por volta das 9h o corpo
começa a produzir endorfinas (analgésicos naturais)
que encorajam um sono pesado do qual será difícil
sair sem dor de cabeça ou mau-humor.
PRAZER
das 9hs às 10hs
A hora certa para as folias amorosas, já que a
taxa de serotonina
(neuro-transmissor ligado ao prazer) está em seu
apogeu. O prazer experimentado só será aumentado.
Por outro lado, também é a hora
de marcar uma consulta ao dentista: as endorfinas,
que também estão
em alta nesse horário, funcionam como anestésicos
naturais.
TRABALHO
das 10hs às 12hs
O estado de vigilância atinge o seu pico e a
memória de curto prazo
(que guarda coisas como um número de telefone que
olha na lista, é
retido por alguns segundos e esquecido na
seqüência) está mais ativa.
Depois que as endorfinas presentes entre 9hs e 10hs
desaparecem, o organismo atinge a sua velocidade
ideal. É o momento certo para refletir, discutir
idéias e encontrar inspiração.
DESCANSO
das 13hs às 14 hs
A moleza que dá depois do almoço não se deve
unicamente á digestão,
mas também a uma queda de adrenalina que acelera o
ritmo cardíaco.
Para retomar a disposição, basta uma sesta de 20 minutos.
MOVIMENTO
das 15hs às 16hs
A forma física encontra o seu apogeu no meio da
tarde, ao mesmo
tempo em que a capacidade intelectual diminui. Como
não há produção
de hormônios específicos nesse horário, os
cronobiologistas ainda não encontraram uma
explicação para o fato.
RUSH
das 18hs às 19hs
À partir das 18h, o organismo fica particularmente vulnerável à poluição
e ao monóxido de carbono. Convém então limitar o
consumo de cigarros
e evitar se possível, os engarrafamentos. Também é
nesse horário que a atividade intelectual e o
estado de vigilância atingem um novo pico – hora
certa de mandar as crianças fazerem a lição de
casa, por exemplo.

PILEQUE
das 20hs às 21hs
Se esse horário costuma coincidir com o aperitivo
de antes do jantar
é bom saber que é também o momento em que as
enzimas do fígado
estão menos ativas, o que faz com que se fique
bêbado bem mais rápido.

SONO
à partir das 20hs
A melatonina (hormônio do sono) invade
progressivamente o corpo a partir das 18h. Mas é as
20hs que aparece o primeiro momento ideal para
dormir, sucedido por outros iguais a cada duas
horas. Para ajudar a cair no sono, fazer amor é uma
excelente idéia: o prazer sexual desencadeia
a secreção de endorfinas no cérebro, favorecendo o
adormecimento.
REGENERAÇÃO
das 21hs à 1hs
Esta fase do sono é muito importante porque
coincide com o pico da produção do hormônio do
crescimento, indispensável para a renovação das
células e a recuperação física. Esse hormônio
permite que os conhecimentos adquiridos na véspera
sejam armazenados no cérebro.

Fonte:
Yvan Touitou
Cronobiologista da Faculdade
de Medicina Pité-Salpêtrière

que sentimos sono após as refeições?

Também podemos sentir sono depois de comer muito. Isso porque a informação de saciedade que é levada ao cérebro nos faz perder o estado de alerta.

Um terceiro motivo é que o organismo passa por ritmos biológicos que variam durante o dia (Cronobiologia). No meio do dia (ou hora do almoço) temos um declínio desses ritmos (Ciclos Circadianos).

A dica para não ter tanta vontade de dormir é diminuir o consumo de alimentos que promovam elevada concentração de glicose no sangue (como doces, geléias e mel) e dar preferência a alimentos de baixo índice glicêmico (pães integrais, arroz, feijão e lentilha). Horários do Corpo Humano

DESPERTAR
das 7hs às  8hs
Quem gosta de acordar tarde já começa o dia em desvantagem.
À partir das 6h, o corpo produz um hormônio que faz
acordar, o cortisol.
Entre 7h e 8h, a taxa de cortisol no corpo atinge a
concentração máxima.
Essa faixa de horário é ideal para acordar com
facilidade e com o pé direito. ATENÇÃO: Voltar a dormir é um erro; por volta das 9h o corpo
começa a produzir endorfinas (analgésicos naturais)
que encorajam um sono pesado do qual será difícil
sair sem dor de cabeça ou mau-humor.

PRAZER
das 9hs às 10hs
A  hora certa para as folias amorosas, já que a
taxa de serotonina
(neuro-transmissor ligado ao prazer) está em seu
apogeu. O prazer experimentado só será aumentado.
Por outro lado, também é a hora
de marcar uma consulta ao dentista: as endorfinas,
que também estão
em alta nesse horário, funcionam como anestésicos
naturais.

TRABALHO
das 10hs às 12hs
O estado de vigilância atinge o seu pico e a
memória de curto prazo
(que guarda coisas como um número de telefone que
olha na lista, é
retido por alguns segundos e esquecido na
seqüência) está mais ativa.
Depois que as endorfinas presentes entre 9hs e 10hs
desaparecem, o organismo atinge a sua velocidade
ideal. É o momento certo para refletir, discutir
idéias e encontrar inspiração.

DESCANSO
das 13hs às 14 hs
A moleza que dá depois do almoço não se deve
unicamente á digestão,
mas também a uma queda de adrenalina que acelera o
ritmo cardíaco.
Para retomar a disposição, basta uma sesta de 20 minutos.
MOVIMENTO
das 15hs às 16hs
A forma física encontra o seu apogeu no meio da
tarde, ao mesmo
tempo em que a capacidade intelectual diminui. Como
não há produção
de hormônios específicos nesse horário, os
cronobiologistas ainda não encontraram uma
explicação para o fato.

RUSH
das 18hs às 19hs
À partir das 18h, o organismo fica particularmente vulnerável à poluição
e ao monóxido de carbono. Convém então limitar o
consumo de cigarros
e evitar se possível, os engarrafamentos. Também é
nesse horário que a atividade intelectual e o
estado de vigilância atingem um novo pico – hora
certa de mandar as crianças fazerem a lição de
casa, por exemplo.

PILEQUE
das 20hs às 21hs
Se esse horário costuma coincidir com o aperitivo
de antes do jantar
é bom saber que é também o momento em que as
enzimas do fígado
estão menos ativas, o que faz com que se fique
bêbado bem mais rápido.

SONO
à partir das 20hs
A melatonina (hormônio do sono) invade
progressivamente o corpo a partir das 18h. Mas é as
20hs que aparece o primeiro momento ideal para
dormir, sucedido por outros iguais a cada duas
horas. Para ajudar a cair no sono, fazer amor é uma
excelente idéia: o prazer sexual desencadeia
a secreção de endorfinas no cérebro, favorecendo o
adormecimento.

REGENERAÇÃO
das 21hs à 1hs
Esta fase do sono é muito importante porque
coincide com o pico da produção do hormônio do
crescimento, indispensável para a renovação das
células e a recuperação física. Esse hormônio
permite que os conhecimentos adquiridos na véspera
sejam armazenados no cérebro.

Fonte:
Yvan Touitou
Cronobiologista da Faculdade
de Medicina Pité-Salpêtrière

Por que Einstein teve dificuldade em aprender?

Por que Einstein teve dificuldade em aprender?

Muito bem, ele não conseguia aprender mas, certamente, não era por falta de inteligência. Que era, então? A resposta é: a maneira de ensinar é que estava errada.

O ensino era e é todo orientado para alunos que têm o hemisfério esquerdo do cérebro predominante. Einstein era tipicamente “de hemisfério direito”. Para essas pessoas, é preciso que não se deixe nenhum elo faltante entre o período da expressão só oral, em que predomina a imaginação, e o período de letramento (alfabetização), em que a pessoa vai aprender um novo código (a língua) em que vai conceber e expressar seus pensamentos.

Cada hemisfério cerebral tem suas funções específicas, funcionando como se tivéssemos duas mentes, embora o cérebro seja uno. A lateralidade cerebral foi comprovada experimentalmente por Roger Sperry, que, por isso, ganhou o Prêmio Nobel de Medicina e Fisiologia, em 1981.

Hoje em dia, as escolas mais avançadas no campo da educação procuram que seus alunos desenvolvam ambos hemisférios, o que, quando ocorre, gera o que chamamos de Superinteligência, conforme demonstrei em meu livro com esse mesmo nome.

A Cidade do Cérebro tem treinamentos específicos (subceptivos e cognitivos), dentro do PEDIC (Programa Especial de Desenvolvimento da Inteligência e da Criatividade) para casos de dificuldades de aprendizado, problemas de memória e estimulação das funções cognitivas para aumento da inteligência e da criatividade.

Professor Luiz Machado, Ph.D.
Cientista Fundador da Cidade do Cérebro
Mentor da Emotologia

Pimpolhos sabidos

Pimpolhos sabidos

“O recém-nascido não é nada disso”, diz Andrew Meltzoff, professor de psicologia da Universidade de Washington. “Ele é uma poderosa máquina de aprendizado que usa a mente como um grande cientista.”
Autor do livro The Scientist in the Crib (O Cientista no Berço), recém-lançado nos Estados Unidos e ainda inédito no Brasil, escrito em parceria com as psicólogas Alison Gopnik, da Universidade da Califórnia e Patricia Kuhl, da Universidade de Washington, Meltzoff diz que já é hora de os pais mudarem definitivamente a forma de encarar os bochechudinhos que eles puseram no mundo. Sua mensagem é clara: as pesquisas nos últimos 30 anos revelaram que a capacidade de aprendizado
dos bebês é muito maior do que se imaginava.
Meltzoff afirma que a máquina de absorção de conhecimento dos bebês começa a funcionar já nos primeiros dias de vida. Trata-se daquilo que muitas mães já sabiam por instinto quando juravam que seus recém-nascidos eram capazes de proezas como identificar a sua voz. O curioso é que foi graças ao uso de uma tecnologia hoje disponível na casa de qualquer cidadão de classe média, uma câmera de vídeo, que boa parte dessas descobertas começaram a pipocar. “Durante séculos as pessoas especularam sobre a mente do bebê”, diz Meltzoff. “Mas só recentemente ele foi de fato objeto de observação dos cientistas.”
Aí as surpresas começaram a aparecer: além de aprender rapidamente a distinguir a voz humana de outros sons, o bebê, poucos dias depois do nascimento, já reconhece faces, vozes e até os cheiros dos parentes. Antes dos sete meses, é capaz de fazer a distinção entre a sua língua materna e uma estrangeira. Mesmo antes de falar, aprende a se comunicar por gestos. E também a interpretar expressões faciais de felicidade, tristeza e raiva. E o mais intrigante: faz conexões de causa e efeito entre dois eventos de modo a prever ou controlar um terceiro. Por exemplo: os cientistas amarraram um móbile colocado acima do berço ao
pé de um bebê de três meses. O pimpolho deduziu que quando chutava uma de suas pernas o móbile balançava. Resultado: sempre que ele queria balançar o brinquedo, mexia a perninha. Por trás de experiências como essa está a prova de que a mente do bebê é bem mais sofisticada do que se costumava imaginar há bem pouco tempo. Estabelecer correlações entre eventos é a base do pensamento lógico e científico. E eles aprendem as leis de ação e reação muito antes do
imaginado. Toda essa precocidade de raciocínio dos bebês tem ajudado a responder a uma velha pergunta: o que, no homem, é produto da natureza e o que é produto da cultura? O que trazemos impresso nos genes e o que só aprendemos por meio da experiência? Filósofos, como o inglês John Locke, acreditavam que o recém-nascido era uma espécie de disquete virgem pronto para receber dados de seus pais, da comunidade em que estava inserido. A imagem que ele encontrou para descrever isso no século XVII foi a da tábula rasa. Os escritores românticos do século XIX, como William Blake, tinham outra visão. Acreditavam que os bebês possuíam um tipo de sabedoria intuitiva, “própria das mulheres e dos homens primitivos”. Essas duas correntes concordavam numa coisa: bebês não raciocinavam como adultos. Eles adquiririam isso da cultura. “Essa divisão entre o que é natural e o que é cultural não faz mais sentido”, diz Meltzoff. “As pesquisas mostram que os bebês já nascem aprendendo e produzindo conhecimento, como se a aquisição de cultura fosse a própria essência da natureza humana.” Conclusão: não há uma mente zero quilômetro. Enquanto o cérebro do bebê está se formando no útero da mãe, ele responde a estímulos externos (a partir do quinto mês de gestação, por exemplo, ele é capaz de ouvir a voz dos pais) e, a partir daí, até o fim da vida, o seu destino é aprender. A grande virada no campo da pesquisa das origens da inteligência humana foi a descoberta de que a formação do cérebro e do conhecimento correm juntas. Ainda na década de 60, os cientistas da Universidade da
Califórnia comprovaram algo surpreendente: o cérebro de um rato se transformava fisicamente quando ele recebia mais estímulos. Comparando os ratos de laboratórios com outros que eram colocados num ambiente especial (maior e cheio de obstáculos como labirintos), a espessura do
córtex cerebral crescia, em média 6%, devido ao aumento de ramificações
dos neurônios. Foi a primeira prova de que o cérebro, assim como um
músculo, poderia ficar mais potente desde que fosse propriamente
exercitado. “Quanto mais estímulos um bebê recebe, mais conexões
nervosas são formadas entre seus neurônios”, diz o neurologista Luiz
Celso Vilanova, da Universidade Federal de São Paulo. “E é a quantidade
dessas conexões que determina o patamar de inteligência da pessoa.”

Outras duas conclusões importantes resultaram dessas pesquisas: a
primeira é que o recém-nascido não é um computador aguardando um
programa que o ensine a funcionar. Em se tratando de seres humanos,
hardware e software estão entrelaçados e são interdependentes. A
segunda conclusão é ainda mais fascinante: ao contrário do seu
computador, que fica lento como um jabuti quando você instala mais
programas, o “processador” do bebê tem capacidade virtualmente
ilimitada e é potencializado exatamente pela quantidade de dados que
recebe e acumula no cérebro.

A esta altura, você que é pai ou mãe, deve estar se perguntando: e como
eu faço para turbinar a inteligência do meu filho? Bem, comece
encarando essas descobertas como uma espécie de edição atualizada do
manual do usuário do bebê. De repente, você descobriu que o
barrigudinho vem de fábrica com bem mais acessórios e programas
instalados. A primeira coisa a fazer, portanto, é parar de
subutilizá-lo, como alguém que usa um forno microondas de última
geração apenas para aquecer um copo d’água.

Até aquele ambiente imaculado e silencioso – para não dizer piegas –
que costuma ser instalado nos quartos dos recém-nascidos, como se eles
sofressem uma espécie de doença mental, está sendo colocado em xeque
pelos especialistas. “O bebê precisa de um local estimulante, com
coisas para ver e ouvir”, diz Julia Manglano, coordenadora da escola
para bebês A&D, em São Paulo. “Quanto mais os pais conversarem com a
criança, melhor para o futuro dela.”

E não é nem preciso esperar que o seu fedelho pronuncie as primeiras
palavras para começar a bater papo com ele. Duas especialistas em
desenvolvimento infantil da Universidade da Califórnia, Susan Goodwyin
e Linda Acredolo, provaram que os bebês podem (e querem) se comunicar
já a partir dos oito meses, muito antes que eles tenham a coordenação
fonética para entabular uma conversação. Basta que os pais escolham
algumas palavras de uso comum – fome, sede, mamãe, cama, por exemplo –,
e passem a acompanhá-las de gestos simples sempre que as pronunciarem
na frente do bebê. “Se todos os pais ensinam os filhos a acenar na
despedida, por que parar por aí?”, pergunta Susan.
Não resta dúvida de que os primeiros anos de vida são fundamentais para
que a criança possa ter desenvoltura no futuro em diversas áreas, da
música à matemática ( veja quadro ). Há cerca de quatro anos, alguns
neurologistas americanos afirmaram que haveria uma idade certa para que
as crianças se interessassem por cada uma dessas áreas. Essa teoria
ficou conhecida como “janelas de oportunidade”, períodos em que se
poderia passar certos conhecimentos específicos com mais facilidade.
Como uma janela, cada um desses interesses teria hora para se abrir e
fechar. Se os pais não aproveitassem a idade certa para que a criança,
por exemplo, se iniciasse na música, a janela se fecharia e, então,
seria tarde demais para que ela se tornasse um pequeno Mozart. “Há um
certo exagero quanto ao fechamento dessas janelas, como se a criança
tivesse um calendário biológico determinista para se interessar por
certos assuntos”, diz Luiz Celso Vilanova. “Mas é certo que os
estímulos precisam começar a chegar cedo.”

Exagero ou não, empresas de todo o mundo voltaram suas atenções para as
possibilidades desse novo mercado. Foram lançadas até revistas
especializadas no assunto, como a americana Infantelligence, além de
brinquedos, jogos, dezenas de livros, CDs do tipo “Beethoven para
bebês” e camisetas com estampas geométricas que os pais devem usar para
estimular a inteligência das crianças.

“Todo esforço para estimular o bebê é interessante, mas os pais não
devem forçar a barra”, diz a psicanalista Cláudia Hohenkol,
coordenadora do Infans, uma ONG especializada no atendimento de bebês
em São Paulo. Especialista em inteligência infantil, ela diz que não
adianta o pai colocar uma sonata de Mozart para o bebê ouvir se a
criança sentir que ele não está curtindo a música ao estar ali com ela
naquele momento. “O aprendizado também depende do afeto”, diz a
psicanalista. “Se a mãe conversa com carinho com o bebê e o trata como
um ser inteligente, é claro que ele vai responder a esses estímulos de
forma carinhosa e inteligente.”

No futuro, quando essa geração de bebês estimulados se tornar adulta,
talvez seja finalmente possível responder à pergunta que intriga há
séculos a maioria das pessoas: existem limitações genéticas para a
expansão da inteligência? Ainda que ninguém arrisque uma resposta
definitiva para essa pergunta, o debate voltou a ganhar fôlego depois
que o psicólogo Anders Ericsson, da Universidade Estadual da Flórida,
defendeu que qualquer um pode se tornar um prodígio, desde que trabalhe
duro e use de forma integrada os dois tipos de memória humana: a
memória de curto prazo (aquela que nos permite decorar um número de um
telefone que logo será esquecido) e a memória de longo prazo (a que
armazena informações de forma duradoura). O segredo dos gênios estaria
no bom intercâmbio entre esses dois tipos de memória. Essa tese vai de
encontro ao chamado “argumento Mozart”, a idéia de que ninguém poderia
ter a genialidade do compositor austríaco apenas suando as mangas. Mas,
afinal, será que Mozart também não trabalhou duro para se tornar quem
foi?

“É bom lembrar que Mozart viveu numa época em que não existia a
infância como hoje a conhecemos”, diz a pesquisadora da Unicamp Cláudia
Lemos, especialista em aquisição da linguagem. Ela diz que quem conhece
a biografia do compositor austríaco sabe que ele era tratado como um
músico desde os primeiros anos. “Ninguém dizia: vá com calma, ele não
passa de uma criança”, diz Claudia. “E é claro que isso teve um preço
para ele.” Mozart morreu precocemente, aos 35 anos, depois de uma vida
cheia de conturbações emocionais.

Enquanto o safári genético que corre solto nos dias de hoje não captura
o gene da inteligência (e não é razoável crer que a inteligência se
resuma a isso), a extraordinária mente dos bebês pode ajudar os adultos
a questionar seus próprios métodos de aprendizado, aquilo que chamamos
de ciência. Afinal, como diz Meltzoff, cientistas nada mais são do que
pessoas pagas para reproduzir na vida adulta o trabalho que os bebês
realizam todos os dias: explorar o mundo à nossa volta com mente aberta
e sede de conhecimento.

Fonte: Revista Superinteressante – março/ 2001

O outro no corpo, o corpo no outro

O outro no corpo, o corpo no outro

Na operação, ela recebeu parte do tecido facial – triângulo formado pelo nariz, queixo e lábios – de uma paciente com morte cerebral. A cirurgia gerou um intenso debate ético a respeito da apropriação corporal e de suas conseqüências na construção e na manutenção da identidade psicológica dos homens, ou seja, da construção de um eu.

Aproveitando a mobilização da comunidade científica o suplemento Mais! da Folha de São Paulo publicou, em 11 de dezembro de 2005, com a colaboração da psicanalista Maria Rita Kehl; do antropólogo da Universidade de Estrasburgo, David Le Bretton; e do professor de filosofia da USP, Renato Janine Ribeiro, uma matéria intitulada “Com o outro no corpo” na qual discutia-se a possível troca de identidade entre doadores e receptores de órgãos transplantados.

Nesta matéria, o antropólogo Le Breton afirmava que, no caso do transplante ser facial, o receptor passa a se identificar com o processo intencional que caracteriza a identidade do doador, isto é, de um outro eu. Em suas próprias palavras: “…transplantar um rosto consiste acima de tudo em transplantar uma identidade, e a operação (no caso, o transplante) tem conotações sísmicas para a base da personalidade. Receber o rosto do outro é como se expor a não mais ser reconhecido, a não mais poder se olhar no espelho sem perceber outra pessoa colada ao próprio rosto”. Afirmações como estas requerem maiores cuidados e considerações uma vez que o que caracteriza um rosto, ou mesmo um corpo como uma individualidade ou um eu, não é a sua configuração ou substancialidade física, mas, sobretudo, a expressão intencional que dele emana.

A palavra latina “alteru”, outro, que aparece no título da matéria do suplemento Mais! e, aparentemente, define o problema ético por ela veiculado, se refere a uma dentre duas entidades animadas ou inanimadas. No caso de entidades animadas, mais especificamente de organismos intencionais como o ser humano, diz-se que o outro é aquele cuja experiência intencional distingue-se daquela de um determinado eu. Ora, um pedaço de tecido inanimado, desprovido de intencionalidade, que constitui a parte inferior do rosto de um doador, não pode ser considerado um outro. Neste sentido não se pode dizer que indivíduos transplantados passem a vivenciar um outro eu, ou seja, um eu secundário em seus corpos, como acontece com certos psicóticos ou com os indivíduos que são supostamente “possuídos” momentaneamente por determinadas entidades espirituais. Estes últimos, ao contrário dos transplantados, que apenas acrescentam ao próprio corpo uma prótese orgânica com a finalidade de melhor expressar a sua própria e singular intencionalidade, isto é, o seu eu, sentem-se invadidos por uma intencionalidade que lhes é estranha, a de um outro eu. Neste sentido é exemplar o dilema existencial dos gêmeos univitelinos. Nestes, intencionalidades distintas e individualizadas, expressas através de configurações corporais duplicadas e idênticas, em geral não apresentam distúrbios de auto-identificação significativos.

A influência das modalidades sensoriais (visual, auditiva, tátil e olfativa) e da motricidade que responde pela expressão intencional facial, e a influência destas na instalação e na manutenção da individualidade, só serão realmente conhecidas após um criterioso trabalho científico. Espera-se que o tempo, o surgimento de novos casos de transplantados faciais e a pesquisa comparativa destes com outros indivíduos portadores de distúrbios de identidade, não transplantados, forneçam os subsídios necessários para se afirmar, com mais segurança, quais as possíveis vantagens e desvantagens dos transplantes faciais.

Fonte: Revista Neurociências Volume III Nº 1: Opiniões