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Quem fala duas línguas fica senil mais tarde, diz estudo

Quem fala duas línguas fica senil mais tarde, diz estudo

“Nós constatamos que falar duas línguas em vez de uma está associado a um atraso no desenvolvimento da senilidade”, declarou em um comunicado Ellen Bialystok, professora da Universidade de York.

 

Os cientistas descobriram que, em um grupo de 184 pessoas estudadas e que acabavam de se consultar devido a problemas cognitivos, os sintomas de senilidade apareceram, em média, aos 71,4 anos entre as pessoas que falam apenas um idioma, e aos 75,5 anos entre os bilíngües.

Esta diferença existe mesmo quando levado em conta o nível educacional, o sexo e o meio social ou país de origem das 184 pessoas estudadas. Nenhum tratamento farmacológico teve um efeito tão espetacular quanto a prática de dois idiomas segundo pesquisadores canadenses, que ressaltaram que os resultados são preliminares.

Estes serão publicados na edição de fevereiro da revista “Neuropsychologia”. O estudo foi realizado pelo Instituto de Pesquisas Rotman, associado à Universidade de Toronto.

Fonte: France Presse / Correio Braziliense – Veja a notícia em inglês.http://www.baycrest.org/News_and_Media/default_8857.asp

Quem comanda as decisões de consumo?

Quem comanda as decisões de consumo?

Esta investigação é suportada, desde há vários anos, por modernas tecnologias psicológicas e por máquinas de uso convencional na medicina, como a tomografia ou a ressonância magnética. Ligar indivíduos a máquinas de scanner cerebral, ao mesmo tempo que  observam marcas, videoclips publicitários, discursos políticos, traillers cinematográficos, etc., é um procedimento que permite aos pesquisadores observar a excitação que ocorre ao nível dos circuitos cerebrais. Um dos objetivos destas experiências passa pela tentativa de descodificar os mecanismos de fidelização de grupos de consumidores alvo.

Grande parte das motivações que levam à compra partem do inconsciente humano, assim, num futuro próximo, os métodos tradicionais de estudo do comportamento do consumidor serão substituídos pelo scanner da mente, permitindo, do ponto de vista da aplicação neuroeconómica, investigar questões como a satisfação, a ganância, o altruísmo, a raiva ou o medo.
No futuro, muitas das maiores organizações terão um departamento de neurociências, cuja importância será determinante na investigação mercadológica, tornando-se uma importante ferramenta de suporte do processo de decisão estratégica, destacando-se como uma potente técnica de inquérito. Compreender parte das emoções vividas durante as experiências de consumo, só foi possível colocando a neurociência ao serviço de organizações multinacionais, surgindo deste encontro o neuromarketing, que nada mais é do que o estudo neurológico do estado mental dos indivíduos, quando expostos a mensagens relacionadas com experiências de consumo.

Desde o ano de 2001 que o scanner da mente tem vindo a ser utilizado um pouco por todo o mundo. O processo, na prática, é muito simples de entender, pretendendo-se que os investigadores possam identificar as partes do cérebro que são estimuladas durante as experiências de consumo, descodificando padrões de comportamento inconscientes. Observar os campos elétricos do cérebro torna-se mais credível que o processamento estatístico, realizado em torno de questionários tipo ou de entrevistas de grupo.

A razão que fundamenta esta moderna e potente ferramenta de análise relaciona-se com a idéia que a linguagem se desenvolve a partir de si mesma, ou seja, o que eu falo funciona, tantas vezes, ao revés do que penso. As dúvidas que se levantam para os analistas de marketing prendem-se com a possibilidade de as respostas aos questionários não serem sinceras, ou mesmo, com a hipótese de em sessões de grupo existir a probabilidade de um, ou mais, de entre os entrevistados, tentarem influenciar a restante amostra.

Vários estudos da área das neurociências confirmam o que há muito se desconfiava relativamente à relação que estabelecemos com o consumo. Este é, segundo Montagne, do Baylor College of Medicine (EUA), tudo menos racional. As experiências de Montagne tornaram-se clássicos do neuromarketing, apontando as decisões de consumo como ligadas ao comportamento meramente emotivo. Ao realizar os já clássicos testes cegos com os populares refrigerantes Coca-Cola e Pepsi, foi possível evidenciar as zonas do cérebro que são responsáveis pela influência inconsciente durante experiências de consumo. Quando os voluntários sabiam que estavam bebendo Coca-Cola, independentemente da sua preferência pela marca, acendiam-se as zonas do cérebro onde se movimentam as emoções e o afeto. Se este mesmo grupo de indivíduos bebia Coca-Cola por copos não identificados, as zonas do cérebro, anteriormente identificadas, não se iluminavam.

Concluiu-se que neste caso a preferência da amostra estava relacionada com a identificação da marca e não com o sabor. A relação psicológica, emocional, cultural, etc., que temos com os produtos, suplanta os valores que nos são transmitidos através do gosto ou do aroma. Não é o paladar que conta, mas a marca, ou a construção inconsciente que dela temos. Um outro exemplo clássico são as experiências realizadas nos EUA a propósito do 11 de Setembro. Analisaram-se os impulsos elétricos cerebrais de republicanos e democratas quando confrontados com imagens de terror relacionadas com os atentados deste fatídico acontecimento.

A área do cérebro associada ao medo acendia-se mais vivamente nos democratas convictos que nos republicanos. O neuromarketing permite, igualmente, analisar decisões de investimento. Clássicos são, igualmente, os estudos que mediram a atividade cerebral de homens e mulheres enquanto jogavam o Investiment Game. Curioso é observar que a atividade cerebral dos homens é substancialmente reduzida a partir do momento em que tomam a decisão, ao contrário das mulheres, que demonstram uma atividade cerebral contínua em três áreas distintas: uma, que concentra a recompensa, outra que tem a ver com o planejamento e a organização, e uma última área onde se calcula e monitoriza as desordens obsessivas-compulsivas.

O reconhecimento de tais diferenças em pouco ajudam ao entendimento a propósito do impulso primordial que comanda homens e mulheres em momentos de consumo. As limitações do neurobusiness são evidentes, já que este não consegue prever as mudanças de comportamento, assim como não lhe é possível mudar as convicções dos consumidores. Dado que se trata de uma técnica descritiva, não destrutiva, pensada para analisar o comportamento do cérebro, não pode induzir comportamentos nos consumidores. O neuromarketing mapeia o processo mental em torno dos benefícios  que poderão levar o cliente a comprar uma determinada marca; todavia, não o pode obrigar a consumir.

O neurobusiness é freqüentemente confundido com outras aplicações tecnológicas ao nível cerebral. Referimo-nos, em especial, à e-terapy. Trata-se de técnicas psicológicas, associadas a software especializado, cujo principal objetivo passa por reprogramar o cérebro humano de forma a fazê-lo esquecer traumas, medos, dores crônicas, iludindo alguns dos estados de espírito mais indesejáveis. Alguns críticos estimam que, no futuro, estas tecnologias poderão ser usadas para estimular a atividade em zonas do córtex associadas a emoções ou, ainda, para aumentar ou diminuir a tensão ao nível do impulso racional, envolvendo o consumidor em estados emocionais propícios a determinados hábitos de consumo.

Uma outra possibilidade de influência tecnicamente assistida do comportamento humano, salientada pelos críticos do neurobusiness, prende-se com os chips que são já aplicados de forma promissora em cérebros de doentes com Parkinson, ou com traumas ao nível obsessivo-compulsivo. Seria eticamente reprovável que estas tecnologias fossem utilizadas com outros propósitos que não os médicos.

Há muitos anos que algumas empresas de comunicação começaram a desenvolver esforços no sentido de atingir a mente dos consumidores através de programação dedicada ao subconsciente. Talvez este motivo seja suficiente para refletirmos a propósito das intenções que estão por detrás de algumas mensagens publicitárias.
Atualmente, existe uma corrente de opinião que dá conta de um novo horizonte da decisão humana, levantando-se a possibilidade dos segredos das decisões de consumo poderem estar associados ao sistema primário da motivação inconsciente. Assim, longe da expressão do exclusivo interesse racional do ser humano, ou do campo emocional, torna-se prioritário o estudo da emancipação das regiões mais primitivas do cérebro.

Os mecanismos humanos de decisão poderão genericamente estar relacionados com três áreas distintas do cérebro com funções diferenciadas. Resumidamente poderemos referir a existência de um cérebro novo, de um cérebro do meio e de um velho cérebro. O cérebro novo será responsável pelas áreas da investigação, da lógica e da dedução. Logicamente, qualquer um será capaz de deduzir que não é prudente viajar de automóvel ao dobro da velocidade aconselhada por lei (exercício projetado no novo cérebro); contudo, há muita gente a fazê-lo sob pena de colocar várias vidas em perigo. O mesmo poderemos dizer quanto às decisões de consumo. Quantas são tomadas de forma inexplicável? Estes exemplos remetem-nos para a necessária existência de outros campos cerebrais para além do racional.

Assim, para além do novo cérebro, reconhece-se o cérebro do meio, onde vamos encontrar as emoções e os sentimentos. Aqui são ainda partilhadas as suas descobertas com os outros dois cérebros. Existe, igualmente, o velho cérebro, o mais profundo, o responsável por nos mantermos vivos. Aqui poderemos encontrar o que Jung relacionou com a herança histórica de todas as civilizações. O cérebro reptilário, o dos nossos antepassados, poderá ser grandemente responsável pelas decisões de consumo. Assim, chegar ao cérebro primitivo permitir-nos-á compreender os próprios mecanismos de sobrevivência humana e conseqüentemente avançar no conhecimento sobre a evolução da humanidade.

Será que é ao nível do velho cérebro que vamos encontrar a mais antiga mistificação dos publicitários, aquilo a que estes chamam de buy botton? Talvez o ser humano não tenha nascido para consumir; no entanto, será interessante estudar a possibilidade de existir no Homem um impulso natural de poder, que o empurre, em direção ao consumo, isto como forma manifesta de disputa do poder pela compra.

*Paulo Vieira de Castro é Diretor do Centro de Estudos Aplicados em Marketing do Instituto Superior de Administração e Gestão do  Porto – Portugal. Ele também atua como consultor de empresas. É mestre em markting e professor do Ensino Superior. Contato: [email protected] ou www.paulovieiradecastro.com

Quanto sangue tem no cérebro?

Quanto sangue tem no cérebro?
Acordado ou dormindo, pensando ou sonhando, fazendo contas ou pulando amarelinha, nosso cérebro recebe sempre o mesmo fluxo de sangue: são cerca de 750 ml, ou uma garrafa de vinho cheia, passando por minuto.

Você se espanta com a quantidade? Pois cada gotinha é necessária. Primeiro, porque o cérebro, sozinho, consome 20% do oxigênio que usamos, e esse oxigênio chega através do sangue. É só fazer as contas para ver que bate direitinho: como são quase 5 litros de sangue no corpo todo, 750 ml são quase 20% do total. E segundo, trata-se de uma questão de “elegância” cerebral: ao contrário do resto do corpo, o cérebro não guarda energia em gordurinhas localizadas (embora as células da glia guardem depósitos de glicogênio, como faz o fígado, que pode ser disponibilizado para os neurônios). Na prática, no entanto, ainda se acredita que toda a glicose, ou açúcar, que o cérebro consome, precisa chegar “on-line”, quer dizer, no momento em que é necessária. E como é necessária o tempo todo…

Ou você se espanta da quantidade não mudar com o exercício físico, e nem mesmo com o esforço mental? Isso tudo parece muito esquisito, porque afinal se o cérebro trabalha “mais” para fazer uma conta, deve precisar de mais energia, portanto de mais glicose, portanto de mais sangue para trazer a glicose… e como é então que não muda? A resposta é que as regiões que se tornam mais ativas a cada instante recebem mais sangue, às custas das outras, que passam a receber menos sangue, de modo que fica tudo equilibrado.

Ainda bem. Afinal, imagina a dor-de-cabeça se o cérebro inchasse com mais sangue a cada conta difícil! (SHH)
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Quando pensar demais atrapalha

Quando pensar demais atrapalha

Decisões simples como essas de vestuário são resolvidas facilmente com um pouco de raciocínio e memória de trabalho, essa capacidade do cérebro de manter rodando para acesso imediato, como bolas de malabarismo no ar, umas três ou quatro informações: está calor? Há algum encontro importante previsto para o dia? Vou andar muito, ou será um dia à frente de um computador ou microscópio? Atenta a essas informações, uma consulta rápida aos ítens disponíveis no armário leva a uma decisão racional e, geralmente, acertada. Que pode ser descartada sumariamente à primeira olhada no espelho, claro, se aquela parte-do-cérebro-aprovadora-de-vestuário (tenho certeza que ela existe!) decidir que algo não está bem.

Após nova sessão de malabarismo para deliberar se saio de casa de táxi, ônibus ou no carro velho (um é caro, o outro é barato mas desconfortável, e o terceiro é inconstante, mas relativamente barato e tem ar-condicionado), chega a hora de colocar as habilidades malabarísticas do meu cérebro realmente à prova: vou comprar outro carro – mas qual? Novo ou usado? De qual marca? Qual cor? Por qual preço? Movido a álcool, gasolina, ou os dois? Motor 1.0, 1.2, 1.4, 1.6, 1.8 ou 2.0? Com ar-condicionado e direção hidráulica? Freios ABS? Farol de milha? Controle da janela na porta, ou no console? Luzes do painel azuis ou laranja? São dezenas de informações, meus olhos se embaçam e a memória de trabalho pede socorro: malabarista-mor das habilidades mentais, ela somente consegue lidar com até umas sete ou oito informações de cada vez. As demais escapam à atenção. Se eu tentar decidir racionalmente nessa hora, julgando conscientemente todas as combinações de todos os ítens de todos os carros disponíveis e minha conta bancária, a chance de a melhor combinação escapar à minha atenção e eu me tornar mais uma consumidora insatisfeita é muito grande.

Isso é o que atestou, em artigo publicado em fevereiro na prestigiada revista Science, um grupo de psicólogos experimentais da Universidade de Amsterdã, na Holanda. Para decisões que exigem a análise de poucos ítens – quatro, no seu experimento –, as chances de se escolher o melhor e ficar satisfeito com a escolha, após deliberação atenta, são bastante boas. Mas aumente para 12 o número de ítens a considerar, e não só será mero acaso você fazer a melhor escolha após muita deliberação atenta, como também suas chances de ficar contente com a escolha diminuem drasticamente.

Mas tudo muda se, antes de chegar a uma decisão, você for passear, pensar em outra coisa; talvez dormir, como recomendam os americanos (sleep on it!); ou resolver problemas de matemática, como os pesquisadores holandeses fizeram, para ter certeza de desviar da escolha a ser feita a atenção dos participantes do estudo. Se logo após a distração você for obrigado a fazer uma escolha complexa, dessas que envolvem a deliberação sobre mais ítens do que sua memória de trabalho consegue manter no ar, suas chances de fazer uma boa escolha e ficar contente com ela são muito maiores do que se você tivesse ficado repassando conscientemente todas as alternativas.

Soa quase irresponsável, é verdade, mas deixar o cérebro se virar sozinho, sem atenção, é bem diferente de tomar decisões impulsivas. A hipótese de deliberação-sem-atenção de Ap Dijksterhuis e Rick van Baaren explica por que este tipo de decisão funciona melhor quando a escolha é complexa: é tudo culpa da nossa capacidade limitada de atenção. Enquanto ela dá conta do número de informações a considerar, ótimo: decisões simples, como a escolha do café-da-manhã e da roupa do dia, ou de um xampu, CD ou sapato, como no estudo holandês, são ótimas quando tomadas conscientemente, com atenção aos ítens relevantes. Mas se tem mais areia do que o caminhãozinho cerebral da atenção dá conta, melhor deixar o cérebro resolver o assunto escondido da supervisão atencional.

A vantagem da deliberação-sem-atenção em situações complexas toca num ponto crucial: a diferença entre o consciente e o insconsciente. Há quem defenda que os dois são processos diferentes, talvez até independentes, e mesmo realizados por regiões diferentes do cérebro. Eu prefiro uma versão mais simples: processos conscientes são aquilo que os inconscientes se tornam ao receberem atenção. Alguns são rápidos demais para chegarem à atenção, como o processo de multiplicação por dez ou a leitura silábica: o resultado simplesmente “aparece” para o cérebro. Outros costumam permanecer inconscientes apenas porque são simples e familiares o suficiente para não exigir supervisão atenta enquanto são realizados: assim é possível passar marchas e pisar na embreagem na ordem certa enquanto se presta atenção na conversa com o carona. Outros, ainda, requerem trabalho investigativo para que se os alcance, por exemplo pela psicanálise, ou são francamente inacessáveis, fruto das primeiras interações do cérebro com o mundo, na infância, ou de processos cerebrais tão fundamentalmente fisiológicos, como as emoções mais simples, que ainda é difícil entendê-los.

O que importa é que, com ou sem atenção, se as informações foram codificadas – ou seja, se passaram atentamente pelos sentidos e entraram para o cérebro –, elas estão acessíveis para deliberação, seja esta agora consciente, foco de escrutínio atencioso baseado em alguns poucos critérios, ou não. A grande vantagem da deliberação-sem-atenção parece estar em contar com todas as habilidades lógicas do cérebro, não limitadas pela supervisão atencional. O resultado da deliberação-sem-atenção, assim, é uma respostanão apenas de um raciocínio sobre quatro ou cinco informações, mas de todo um cérebro com acesso a todas as informações disponíveis, novas e antigas, suas preferências inatas e aprendidas, e até mesmo aquela lista enorme de ítens sobre carros e contas bancárias.

Confortada pelos holandeses, decido então conscientemente algumas coisas simples, como limite de preço, número de portas, direção hidráulica e ar-condicionado, saio às lojas à caça de informações para alimentar meus processos deliberativos, e vou ao cinema com os amigos dedicar minha atenção limitada a outras coisas menos complexas enquanto meu cérebro delibera, livre de supervisão. Quando ele chegar a um veredito, eu saberei – porque a resposta à pergunta “E aí, qual carro você vai comprar?” sairá naturalmente, como que por mágica.

E então, quando chegar a hora de avaliar minha satisfação com a decisão tomada, meu cérebro provavelmente estará contente por ter sabido combinar meus desejos interiores, ou melhor, anteriores, com toda a miríade de carros disponíveis. E, em caso de necessidade, poderá até fazer o processo inverso: encontrar argumentos racionais para justificar, e ratificar, a decisão já tomada, e se convencer de que ela foi, de fato, acertada. Não tenho tudo o que amo, mas amo tudo o que tenho. Meu cérebro cuida disso.

Fonte: Editoria da Revista Neurociências Volume III Nº 1

Qual a potência do cérebro?

Qual a potência do cérebro?

Se você ainda não se convenceu de que o quilo e meio de matéria em sua cabeça é muito mais capaz e interessante do que a máquina à sua frente, pense no seguinte: você acorda, escolhe o que vestir, come, trabalha, resolve os problemas do mundo, imagina outros tantos, curte quem você gosta e ainda descobre várias curiosidades sobre o funcionamento do cérebro trabalhando a uma potência de apenas… 22 Watts, bem menos do que a lâmpada que ilumina sua sala.

O consumo de energia pode ser calculado para qualquer tipo de energia, elétrica ou química, como as calorias dos alimentos que o cérebro consome. Das mais ou menos duas mil quilocalorias que precisamos ingerir diariamente para manter o corpo funcionando, 450 kCal são consumidos pelo cérebro sozinho (já dá para ver que dietas de menos de 500 kCal por dia são perigosas).

Calorias e quilocalorias, ou mil calorias, são medidas de energia. O consumo de energia do cérebro por segundo se chama “potência”, que pode ser medida nos Watts que medem a potência de lâmpadas e fornos de microondas. Olhe só:

450 kCal por dia = 450.000 calorias/24 h =

= 450.000 calorias/ 24 h * 60 minutos * 60 segundos =

= 450.000 calorias / 86.400 segundos = 5,21 calorias/segundo

Acontece que 0,24 calorias/segundo correspondem a 1 Watt de potência.

1 Watt —– 0,24 cal/s

x Watt —– 5,21 cal/s -> x = 5,21/0,24 = 22 Watts

Ou seja: o cérebro tem 22 Watts de potência. Tanto quanto uma lâmpada incandescente fraquinha, que só ilumina e esquenta!

 

Para calcular o consumo de energia no final do mês como a Light faz, é só multiplicar a potência do aparelho pelo número de horas utilizadas. Como o cérebro funciona 24 horas por dia sem interrupção, a conta é simples:

22 Watts * 24 horas * 30 dias = 15.840 Watts.hora, ou 16 kWh (quilowatts.hora).

Para quem quer uma conta mais rápida, é só considerar que 1 kWh equivale a 860 kCal. Como em trinta dias o cérebro consome 13.500 kCal, esse total dividido por 860 dá os quase 16 kWh da conta anterior.

Ao preço de R$ 0,50 por kWh, manter seu cérebro funcionando com eletricidade adquirida do governo custaria módicos R$ 8,00 ao mês.

Agora me diga: qual computador consegue funcionar sem interrupção por oito reais ao mês – e ainda ter caprichos, desejos e paixões? Hmmm? (SHH)